
Tempo livre é privilégio: a desigualdade racial no uso do tempo no Brasil
Existe um recurso que todo discurso de meritocracia trata como igualmente distribuído e que, na prática, não é: o tempo fora do trabalho. Não o tempo de dormir ou de se deslocar, mas aquele terceiro tempo — o que resta depois do expediente e das obrigações domésticas, o tempo que, em tese, é “seu”. No Brasil, esse tempo tem cor. Não porque pessoas negras trabalhem menos ou se organizem pior, mas porque a estrutura do mercado de trabalho — informalidade, dupla jornada, trabalho doméstico remunerado, jornadas mais longas por rendimento mais baixo — retira, de forma sistemática e mensurável, justamente a fração do dia que sobraria para não fazer nada, ou para fazer o que se quiser....
