Trabalhadora em um domingo de trabalho informal no Brasil

Tempo livre é privilégio: a desigualdade racial no uso do tempo no Brasil

Existe um recurso que todo discurso de meritocracia trata como igualmente distribuído e que, na prática, não é: o tempo fora do trabalho. Não o tempo de dormir ou de se deslocar, mas aquele terceiro tempo — o que resta depois do expediente e das obrigações domésticas, o tempo que, em tese, é “seu”. No Brasil, esse tempo tem cor. Não porque pessoas negras trabalhem menos ou se organizem pior, mas porque a estrutura do mercado de trabalho — informalidade, dupla jornada, trabalho doméstico remunerado, jornadas mais longas por rendimento mais baixo — retira, de forma sistemática e mensurável, justamente a fração do dia que sobraria para não fazer nada, ou para fazer o que se quiser....

14 de setembro de 2026 · 7 minutos · Marcus Pereira
Mulher negra em ambiente doméstico de trabalho

Trabalho doméstico, mulheres negras e a dependência de uma única renda no Brasil

Há uma estatística que costuma aparecer isolada, como curiosidade: a maioria das trabalhadoras domésticas do Brasil é negra. Ela é verdadeira, mas sozinha esconde o que mais importa. O dado que realmente define a precariedade dessa ocupação não é só quem a exerce — é o que acontece quando essa é a única renda de uma casa sem carteira assinada, sem previdência e sem rede de proteção nenhuma por trás. É nesse ponto de encontro entre informalidade e dependência de uma única fonte de sustento que a desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro se mostra de forma mais crua....

14 de setembro de 2026 · 7 minutos · Marcus Pereira